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Eu, a CEU, a ditadura e as lutas sociais – por Carlos Molina

(em memória)

Vindo de S. Paulo chegando a Curitiba em final de Agosto de 1978 ao desembarcar na rodoviária de pronto tive de enfrentar uma garoa fria. Com pouco dinheiro no bolso não tinha condições de pagar um taxi. Pedi informações sobre o caminho para chegar ao Passeio Público, ponto de referência que me deram para chegar a CEU, que soberana reinava encravada no meio da maior área verde central.

Perdemos Carlos Molina

Era 5;30 da manhã, enfrentando a intempérie comecei o que era para ser uma curta caminhada, haviam me dito que não passava de dez quadras, “logo ali”. Depois de caminhar poucas centenas de metros a minha roupa já estava encharcada e a cada passo a mochila pesava cada vez mais. A garoa fria penetrava na alma, tremia de frio.

Ao avistar o Passeio Público depois da “longa” caminhada pela Mariano Torres a alegria tomou conta de mim pela certeza de que estava perto do destino. Sonhava acordado com uma bela xícara de café quente. Pegando a rua Luis Leão contornei o parque, sendo que neste trajeto menor fui assombrado pelos terríveis gritos e fortes pancadas nas grades dadas por algum bicho enclausurado naquele recinto público. Pensei com os meus botões: Será que ele está tão irritado com este clima como eu estou? Clima filha da puta, que fazia a garoa paulistana virar coisa pequena!

No fim da pequena curva lá estava a imponente CEU. Tinha dois contatos na Casa, o meu primo Pedro e o meu amigo Batistão, velho amigo da infância e adolescência na minha querida Tupã. Dirigi-me a portaria e fui muito bem atendido pelo porteiro “Gabriela”, apelido estranho pelo qual um morador ao qual ele atendia antes de mim o chamou, e perguntei sobre os dois. Era muito cedo e eles ainda estavam dormindo, era um domingo, achei uma sacanagem os acordar.

Com a autorização do porteiro fui ao banheiro ao lado da portaria e vesti uma roupa seca, quente. Voltando a portaria perguntei sobre como poderia tomar um café e ele me encaminhou para o refeitório. Tomei uma generosa xícara de café com leite e comi dois pães com geleia e margarina, na situação que estava foi um verdadeiro banquete.

Voltando portaria lá estava outro porteiro, se não me engano era o Sabugaro. Perguntando a ele como poderia arrumar um canto para descansar ele me encaminhou a “sala dos outros”, um enorme quarto repleto de beliches. O local fedia a mofo, o que de cara atacou a minha renite. Resolvi esperar acordado na sala de recepção, desisti da ideia de dormir um pouco. Acabei cochilando sentado em uma das poltronas, ao despertar já passava das dez.

Acordei com uma tremenda dor no pescoço. A Casa já estava toda agitada, cheia de vida. Levantei e fui ao banheiro tirar o gosto de cabo de guarda chuva da boca e me dirigi novamente à portaria. O Batista havia saído e o meu primo Pedro ainda estava no quarto, para lá me dirigi e fui carinhosamente muito bem recebido por ele.

Conversamos até a hora do almoço e descemos para almoçar. No refeitório me senti em um “internato anárquico”, o enorme salão estava lotado e o ruído era ensurdecedor, um borburinho de risadas e vozes desencontradas, misturados com o som metálico dos garfos se chocando com as bandejas.

Elogiei a comida e os da mesa disseram que não era para me acostumar, pois durante a semana não era assim. A CEU passava por uma séria crise causada pela má gestão dos recursos. A diretoria anterior havia desperdiçado muito dinheiro fazendo banquetes em homenagem aos políticos ligados à ditadura.

Logo que em 1978 cheguei a Curitiba, tendo como referencial a CEU, o MDB e a Oposição Bancária, ao entrar em contato com a realidade para aqui poder me reorganizar já me engajei politicamente. Através destes amigos pude saber que existia um foco de oposição começando a se reorganizar, e que este organizava uma panfletagem pela libertação da Flávia Schilling, brasileira presa política no Uruguai.

Ocorreu um panfletagem no campo do Coxa, era dia de Atletiba. Todo mundo muito tenso no executar da ação, aqui também a ditadura imperava. Do grupo participavam alguns ex-presos políticos, sindicalistas de oposição e vários estudantes, entre eles alguns moradores da CEU.

Anteriormente os professores estaduais havia tentando uma paralisação grevista em 1977 e os estudantes da Federal haviam feito um protesto ocupando o prédio da Reitoria, fato também ocorrido em 1978, onde foram duramente reprimidos. A oposição à ditadura retomava os espaços nas ruas, e nela a CEU, junto com os demais segmentos democráticos, começava a se reengajar de forma mais massiva e neste Movimento fez a diferença.

Em 1979 vários ceuenses tinham forte presença no Movimento Cultural em Curitiba. Na Casa existiam muitos artistas amadores experimentais vanguardistas (poetas, cronistas, cineastas e cinéfilos, etc.), sendo que estes participavam ativamente das atividades que ocorriam na Casa Romário Martins, local onde o cinema arte resistiu com apoio institucional, coisa rara naquele triste período de escuridão.

1979 foi um ano crucial para a vida em sociedade em nossa capital, e no desenrolar deste os ceuenses ocuparam um grande espaço na luta pelo retorno do Estado de Direito. Tanto na UFPR como na Católica os estudantes partiam para a reorganização das suas entidades de base e a CEU era parte importante nesse processo.

No meio do ano o Teatro Guaíra acabou com a meia entrada para os estudantes e da CEU serviu como base (reuniões secretas nos quartos, pinturas das faixas, etc.) para a organização da “Manifestação Teatro para o Povo”, ato que reuniu perto de 1.000 pessoas, coisa rara para a época e ainda mais para a conservadora Curitiba. Ocorreu forte repressão policial com o uso de cassetetes e gás contra os manifestantes.

Com a união de vários segmentos sociais surge em Curitiba o CBA (Comitê Brasileiro pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita), dele os ceuenses também participaram (reuniões, atos públicos, panfletagens, colagem de cartazes, pixações, etc.), como participaram do Comitê de Solidariedade aos Trabalhadores em Greve. As greve pipocavam, sendo as maiores as que envolveram os professores e os trabalhadores da construção civil. Nesta última os ceuenses deram grande contribuição na central de distribuição de alimentos, que funcionou na Igreja do Guadalupe.

Este ano, 1979, também foi vital para o Movimento Estudantil, a UNE é reconstruída no Congresso que aconteceu em Salvador/Bahia. Os ceuenses participaram ativamente do processo de escolha dos delegados, sendo que entre estes vários eram moradores da CEU.

* Carlos Molina nos deixou esta semana, na noite de 31 de março

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Eleições 2020: MDB pode ter recorde de candidaturas femininas em Curitiba

Com excesso de mulheres dispostas a saírem candidatas pelo MDB na eleição municipal de quatro de outubro, em Curitiba, o partido pode ter um número recorde do gênero feminino.

Anota o Blog do Tupan que as interessadas são de vários segmentos como associações de classe, empresarial, profissionais liberais, da saúde e professoras da rede pública.

As candidaturas só não vingam se a sigla, em situação confortável, não encontrar outras candidaturas masculinas para aumentar as alternativas e compensar o assédio de última hora e desistências.

A outra novidade na legenda é a volta do crescimento da candidatura à Prefeitura de Curitiba de João Arruda e o enfraquecimento da rede de apoios de Roberto Requião, até aliados dos anos 1980 já descartaram o apoio ao ex-senador.

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Setor de entretenimento entrou em colapso e já demitiu 3,2 mil. Abrabar estima até 8 mil demissões

Largo da Ordem é um dos principais polos gastronômicos de Curitiba (Foto: SMCS)

O setor de entretenimento, que reúne gastronomia, lazer e turismo, entrou literalmente em colapso em Curitiba. O segmento já demitiu 3,2 mil colaboradores e pode chegar a oito mil demissões até o dia 6 (segunda-feira), segundo cálculos da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar).

As demissões em massa, que começaram há aproximadamente 15 dias, estão em destaque na mídia estadual e nacional nesta sexta-feira (03) e são decorrentes do isolamento social, necessário por conta da pandemia do coronavírus, mas que já traz efeitos significativos para a economia do Paraná.

O número, porém, pode chegar a 8 mil até o próximo dia 6, uma vez que não há data para que aglomerações de pessoas voltem a ser permitidas, informa o site da rádio Banda B. Em Curitiba, casas noturnas foram fechadas por determinação da prefeitura, lembra Fábio Aguayo, presidente da Abrabar.

Empresas fechando
O setor entrou em colapso e empresas já estão sendo fechadas, ressalta a Abrabar. “O mais dramático é que está chegando o dia de pagamento dos funcionários e muitos não têm como pagar. Vamos ter que renegociar com o sindicato dos trabalhadores para que ninguém fique na mão”, afirmou Aguayo (foto abaixo).

“Como nosso dever é priorizar o pagamento dos salários do mês, vamos fazer empréstimo bancário, linha de crédito, e ter que segurar de alguma maneira, para honrar com o pagamento”, analisou.

Atualmente, segundo a associação, o setor tem 12 mil estabelecimentos com 37 atividades econômicas, que representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de Curitiba e 6% do estado, informa o G1, portal de notícias do Grupo Globo.

Demissões
Na última quarta-feira (1°), a rede de restaurantes Madero demitiu mais de 600 funcionários. Segundo o empresário Junior Durski, as demissões se concentraram em equipes voltadas aos projetos de expansão da rede, que previa abrir mais 65 unidades ainda em 2020.

Em Curitiba, decreto assinado pelo prefeito Rafael Greca em 19 de março proíbe a abertura de vários serviços relacionados ao setor, como casas noturnas, espetáculos, boates, cinemas, teatros e tabacarias. O objetivo da administração municipal é evitar a aglomeração de pessoas.

Os empresários já estão tendo que tomar medidas para arcar também com contas e impostos. “Muitos já deixaram de pagar impostos e taxas, enquanto dívidas com fornecedores estamos tentando postergar lá para frente. A luz, estamos negociando com a Copel, a Sanepar ainda não se posicionou e a Compagás não vai cortar o fornecimento, até para que possamos manter pelo menos parte da atividade”, explica.

Diante das possíveis 8 mil demissões até o dia 6, a Abrabar já abriu negociação com o sindicato para poder fazer o parcelamento das rescisões. “Demorou para chegar o socorro de manutenção de empregos e alguns empresários acham melhor demitir que criar uma bola de neve lá para frente”, pontua.

Proposta de reabertura
A Abrabar disse que vai propor ao Governo do Paraná e à Prefeitura de Curitiba que as atividades do setor sejam retomadas gradualmente a partir de 10 de abril.

Segundo a associação, o ofício que será enviado ao governo propõe a redução da capacidade de atendimento, seguindo recomendações para evitar o contágio da Covid-19.

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Pimentel entra no PSD e defende união pelo Paraná

O vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, oficializou nesta quinta-feira a filiação ao PSD, legenda do governador Ratinho Junior.

“Quero agradecer a confiança do governador, que é a maior liderança do nosso Estado e que faz uma gestão moderna e inovadora”, afirmou Pimentel.

A entrada dele no partido aproxima, ainda mais, o governo estadual e a prefeitura de Curitiba. “Nossa proposta é reforçar o diálogo e as parcerias, principalmente, neste período que uma grave pandemia atinge nossa população. Mais do que nunca precisamos de muito trabalho,união, entendimento e integração entre os governantes”, afirmou.

Apoio

A entrada de Pimentel foi avalizada pelos principais integrantes do PSD Paraná. O deputado estadual e secretário da Casa Civil, Guto Silva,  elogiou o trabalho dele como vice-prefeito. “O Eduardo é uma jovem liderança que tem contribuído para o desenvolvimento de Curitiba. Tenho certeza que nosso partido, liderado pelo governador, fica fortalecido com essa grande filiação”, afirmou Guto.

A filiação teve a presença do deputado federal Sandro Alex, o ex-deputado federal Eduardo Sciarra, os secretários estaduais Marcio Nunes (Desenvolvimento Sustentável e do Turismo), João Carlos Ortega (Desenvolvimento Urbano) e Norberto Ortigara (Agricultura). A entrada de Pimentel no partido tem ainda o apoio o vice-governador Darci Piana e do deputado estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa Hussein Bakri.

Nacional

Para o vice-prefeito, além da boa relação com o governador, a escolha do novo partido levou em consideração a boa imagem nacional do PSD, presidido pelo Gilberto Kassab “Um grande partido que aposta na contribuição dos jovens para a construção de um Brasil pautado na competência, responsabilidade e ética”.

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Após promessa de manter empregos, dono do Madero demite 600 funcionários

Apesar de afirmar em vídeos no Instagram que seus funcionários não seriam demitidos durante a crise causada pelo coronavírus, o empresário Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, em Curitiba, dispensou nesta quarta (01), 600 funcionários. A informação foi publicada pelo Estadão e repercutida pelo Bem Paraná.

O  empresário justificou as demissões afirmando os funcionários faziam parte de equipes dos projetos de expansão da empresa, que previa lançar mais 65 unidades em 2020 e que o plano que foi abortado com a crise causada pela pandemia. Ele garantiu ao Estadão que maioria dos demitidos eram recém-contratados em treinamento.

“A minha empresa tem condições, recursos e caixa para passar três, quatro, cinco ou seis meses parada. Não estou preocupado comigo, já disse que manterei o emprego dos nossos empregados”, disse ele no vídeo polêmico em que afirmou que cinco ou sete mil mortes não poderiam justificar as paralisações que afetam a economia. (AQUI para assistir)

“Estou preocupado com o Brasil, com o pequeno empresário, com o vendedor de pipoca, com quem tem um restaurantinho, um barzinho. Estou preocupado com milhões de pessoas que não terão um emprego em 2021”, ressaltlu.

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele acabou pedindo desculpas no dia seguinte, dizendo que foi “mal interpretado”.

Entre os sócios de Durski está o apresentador Luciano Huck, que voltou atrás nesta quarta na demissão de professores da startup Alicerce pelo whatsapp por causa da pandemia.

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ONGs intensificam ajuda solidária durante pandemia mundial

Entidades brasileiras se unem para combater a fome, promovem arrecadação de produtos de higiene básica e orientam sobre cuidados necessários para evitar o contágio do Coronavírus entre moradores de favelas

A Covid-19 já afeta a vida de milhões de pessoas no mundo todo e nem todos podem trocar os escritórios pelo home office. Com os filhos longe da escola, o consumo alimentar dentro de casa aumentou, mas a renda foi comprometida pela falta de trabalho.

Preocupadas com a situação de moradores das favelas, entidades, como a ONG Incanto (Instituto de Cultura, Arte e Novas Tecnologias), de Curitiba, em parceria com a rede de ONGs Gerando Falcões, de São Paulo, conduzem uma campanha solidária com a entrega de cestas básicas digitais e arrecadação de álcool em gel.

Os voluntários das entidades prestarão apoio social para 600 famílias. Cerca de 2.400 moradores de comunidades carentes serão beneficiadas com a ação, em Curitiba e Região Metropolitana. De acordo com a presidente da Incanto, Camila Casagrande, as famílias contempladas são de 20 favelas em que a ONG já atua. “Estamos em um momento muito delicado em que todos os planos tiveram que ser adiados e reformulados. Mas, para essas pessoas, não existem outras alternativas, então vamos nos empenhar ao máximo no que pudermos”, explica.

O Instituto Incanto solicita ajuda como doações em dinheiro para realizar a compra de álcool em gel para ser enviado às famílias junto das cestas básicas. O produto não faz parte da realidade na vida dessas pessoas, pelo preço e a dificuldade de encontrar esse produto em mercados populares. É um item essencial que poderá mudar esse cenário de contato com a doença. “Diante da realidade dessas famílias que precisam ir às ruas buscar seu ganha pão, o vírus ganha ainda mais espaço. Precisamos minimizar qualquer possibilidade de contágio e levar esse vírus para dentro das favelas, uma vez que, essa quarentena é totalmente seletiva”, concluiu Camila.

Serviço

Para ajudar com as doações clique AQUI

Tem álcool em gel sobrando em casa, conhece algum fabricante, fornecedor ou comerciante que pode contribuir com grandes quantidades deste produto?
Entre em contato agora mesmo através da nossa página na internet pelo link Instituto Incanto, pelo nosso perfil do Instagram: @institutoincanto ou pelo whatsapp +55 (41) 9 9223-5118.  

Sobre as ONGS

O Instituto Incanto

É uma ONG que faz a conexão entre voluntários artistas com outras ONG’s para que sejam aplicadas aulas regulares de arte e cultura. Hoje, o Incanto atende 17 Casas Lares e projetos de contraturno escolar, transformando a vida de 510 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.


Gerando Falcões

É uma rede de ONGs em âmbito nacional que transforma periferias e favelas. Eles conseguiram juntar em menos de uma semana, 60 mil cartões alimentação que garantem por três meses o sustento dessas famílias. Esses cartões estão sendo entregues nas favelas, via parceiros de todo o Brasil e o Instituto Incanto faz parte desse time.

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Paranaenses que testaram positivo para coronavírus falam da experiência

Dois casais, de Curitiba e Foz do Iguaçu, tiveram testes confirmados pelo Lacen. Eles tiveram acompanhamento de profissionais das secretarias municipais e estadual da Saúde

Mesmo com a atenção do mundo voltada para os casos do novo coronavírus, a maior parte dos diagnósticos para a Covid-19 não evolui para os quadros mais graves da doença. Relatos de paranaenses que testaram positivo para o vírus, com testes confirmados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), mostram como os sintomas podem variar para cada paciente.

Para o casal Ana Caroline Rafagnin Rodrigues e Hassan Soueid, os dois com 30 anos, os sintomas da Covid-19 foram leves. Moradores de Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado, eles estiveram em São Paulo no início de março, onde desconfiam ter pego a doença.

Depois que dois amigos com quem tiveram contato terem sido diagnosticados, eles também resolveram fazer o exame, mesmo tendo sintomas leves por poucos dias. “Tanto para mim como para meu marido foi bem tranquilo, foram sintomas de uma gripe leve, com uma febre à noite, dor de garganta no dia seguinte e um pouco de tosse”, conta Ana.

Após procurarem um hospital particular e com a confirmação do teste, os dois foram orientados a ficar em isolamento domiciliar. Diariamente, profissionais da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde e da Secretaria da Saúde de Foz do Iguaçu entravam em contato com eles para confirmar a evolução dos sintomas.

“Todos os dias eles perguntavam sobre nossos sintomas, se estávamos em casa e se tivemos contato com outras pessoas. Na quarta-feira passada nos ligaram para dizer que já poderíamos sair do isolamento domiciliar e ainda hoje mantêm contato”, conta Ana.

“Mantemos o isolamento social, que é a melhor forma de combater a doença, mas já podemos sair para ir ao mercado ou a farmácia, o que não fazíamos anteriormente”, explica.

Primeiros Casos

O engenheiro José Mario Moraes e Silva e a esposa Sandra Mara Moraes e Silva, ambos com 62 anos, estão entre os primeiros paranaenses que testaram positivo para o coronavírus.

A evolução dos sintomas fez com que o casal de Curitiba ficasse internado por seis dias. Mas agora, passadas mais de duas semanas desde o resultado positivo no exame, eles voltam, aos poucos, a respirar aliviados.

Os dois fizeram um cruzeiro pela Europa no início de março, com duas passagens pela Itália. A volta coincidiu com o primeiro dia de quarentena no País, em 9 de março. Já na primeira noite no Brasil, Sandra teve febre e resolveu procurar por um médico para fazer o teste para a Covid-19. Mesmo assintomático, José também fez o exame, mas os sintomas chegaram ainda antes do resultado.

“Mantivemos a viagem porque a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) era, até então, que ninguém voasse para a China, mas ainda não havia receio quanto aos outros países”, conta José. “No navio, nossa temperatura era medida o tempo todo e tomamos todos os cuidados na volta, chegamos em casa já decididos pelo isolamento”, afirma. 

O que começou com uma febre, evoluiu para outros sintomas, como dor de cabeça, dificuldades para comer e sudorese. “Era uma série de sintomas que, isolados, não eram muito fortes, mas todos juntos eram horríveis. Nós dois tivemos um quadro parecido, inclusive sem dificuldades respiratórias, mas quando desmaiamos em casa por causa da desidratação, achamos melhor buscar por um internamento”, diz.

Monitorados

No hospital particular, eles ficaram isolados e foram monitorados 24 horas por dia. Em casa, as condições de saúde dos dois era acompanhada de forma remota por profissionais das secretarias da Saúde de Campo Largo e Curitiba, já que o exame de Sandra foi direcionado para a cidade da Região Metropolitana, e do Estado.

Vinte dias desde que os primeiros sintomas se manifestarem, os dois estão de alta, mas continuam em isolamento social. José está fazendo home office e diz que ainda não sairá de casa pelos próximos dias. “O isolamento é um esforço que todos devem fazer em nome de um bem comum”, afirma o engenheiro.

“O pior da Covid-19 é que uma doença que ninguém pode chegar perto, apenas profissionais devidamente paramentados. Neste tempo todo, ficamos longe de nossas mães, filhos e netos. Vamos aguardar esse momento passar para podermos nos reunir novamente”, completa.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

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Pela união ao turismo e medidas emergenciais para salvar o setor

Por Fábio Aguayo, na Gazeta do Povo

A chegada do novo Coronavírus nos lançou a um momento único, onde será fundamental o envolvimento de todos para superar a crise. E, dentro deste espírito, a Feturismo, entidade civil, filiada à Confederação Nacional do Turismo (CNTur), terceiro grau sindical de atendimento às empresas do turismo do Paraná, agradece a publicação do pacote econômico do Governo do Estado, com destaque ao programa de contingenciamento de R$ 321 milhões do orçamento vigente.

Também é louvável o encaminhamento, à Assembleia Legislativa, de projeto de lei que institui a manutenção de empregos nas empresas terceirizadas que atendem o poder público. O momento é difícil, como citado, mas precisamos avançar, buscar esclarecer dúvidas e ações que podem contribuir.

Um Programa de Incentivo ao Turismo, com as “hashtag” Turismo é Meu Negócio, Somos Turismo, Somos Paraná, para incentivar os paranaenses a viajar dentro do estado, pode ser o ponto de partida para o setor. Também é preciso convencer moradores de outras regiões do país a conhecer as 14 diferentes faces do Paraná.

Nosso Estado tem belezas incríveis e estrutura capaz de absorver o turismo de eventos, de negócios, de lazer, esportes, cultura e gastronomia. Essa é a nossa proposta para uma forte retomada e aceleração do crescimento do setor que se tornou tão sensível.

Algumas ações trarão alívio para o nosso setor, como taxas menores sobre o ICMS dos combustíveis, até campanhas de encorajamento como “visite um destino paranaense em seus próximos três meses”. São pequenos pontos para nossa entidade, que se somando às outras voltadas ao setor, pode engajar.

Muitas outras questões colocam o setor do turismo em dúvida e para isso, dividimos o teor do pacote do governador Ratinho Junior em alguns tópicos e colocamos algumas questões a seguir sobre cada recurso ou incentivo proposto.

Com a estimativa da Fomento Paraná empregar R$ 480 milhões divididos em quatro linhas, objetiva atingir pelo menos 40 mil empresas. Nossas dúvidas são, seriam R$ 12 mil para cada empresa? Quais os setores empresariais teriam chance de conseguir estes recursos? Há alguma provisão específica para o setor do turismo e quais as formas de garantia?

Sobre a Fomento usar recursos do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE) para reduzir a taxa de juros, isso nos deixou uma questão. Se a taxa de juros de 0,91% ao mês, ao final de 12 meses, nos dá um total de 11,48%. É possível diminuir este percentual de juros uma vez que a Fomento está fazendo uso de recursos do FDE?

Aos municípios que possuem financiamentos com a Fomento, será oferecida uma possibilidade de moratória de 180 dias sem juros ou de amortização do principal. Essa medida tem um impacto estimado de R$ 148 milhões.

Cada município deverá analisar a vantagem ou não de suspender os pagamentos nesse prazo. Os municípios que apresentam atrativos turísticos, em especial os que tem no turismo grande parte de sua renda, também estão sendo contemplados?

O BRDE formatou um programa emergencial de R$ 670 milhões. Se o objetivo é financiar micros, pequenas e médias empresas do estado, como está a previsão de aporte? A busca, portanto, está em que seja garantido um capital de giro de baixo custo para ao menos 3 meses de “oxigênio”?

E ainda postergou prazos (até seis meses) de todos contratos ativos destinados a micro, pequenas e médias empresas que não são do setor rural. Estas novas formas de financiamento poderiam ser utilizadas neste formato específico para o setor do turismo ou estão congeladas?

O pacote, segundo o anúncio, tem R$ 520 milhões disponíveis para linhas de capital de giro e para incremento da produção. Qual o formato a ser aplicado para estas linhas de capital de giro? Que tipo de empresas de nosso setor poderão participar e com quais custos e prazos? Qual o valor do aporte disponível somente do Fungetur e quais empresas são previstas de receber tal incentivo?

E a pergunta que mais aflige o setor é quando será a decisão e teremos o comportamento de sensibilidade da Copel/Sanepar/Compagas? Estamos implorando que seja debatido na reunião dos conselhos de administração das estatais, especialmente que tem maior a participação do Governo do Estado, para que haja uma consideração excepcional neste momento delicado.

O setor de turismo no Brasil e no Paraná não tem, pelo fechamento de fronteiras e barreiras, a presença dos turistas internos ou estrangeiros. Nosso pleito é para que tenha uma deliberação urgente que fixe ou informe as equipes próprias ou terceirizadas a instrução de não cessar o não fornecimento dos serviços por 120 dias.

Mesmo com atrasos nos pagamentos, independente do porte da empresa, não pedimos anistia e sim que seja providenciado um pacote excepcional de negociação e parcelamento. Após este período de calamidade pública e estado emergencial, não podemos correr o risco cruel de escolher demitir colaboradores, ou que seja pago um destes serviços neste trágico momento.

A Feturismo acredita que o diálogo é o melhor caminho para encontrarmos soluções e superarmos juntos este momento de dificuldade que enfrentamos.

Fábio Aguayo é presidente do Sindiabrabar e vice-presidente de Relações Governamentais e Institucionais da Feturismo (Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia, Entretenimento, Lazer e Similares do Estado do Paraná).”

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Curitiba tem 42 pessoas recuperadas do coronavírus, diz prefeitura

Quase metade dos casos confirmados no Paraná foram registrados em Curitiba, segundo a Sesa, 42 pessoas que foram diagnosticadas com a Covid-19 se recuperaram, em Curitiba, desde o início da pandemia, segundo a prefeitura.

O número de recuperados desde o início de março, quando houve o primeiro diagnóstico confirmado, representa quase metade dos 90 casos registrados na cidade.

O boletim da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) de terça-feira (31) confirmou 185 casos da Covid-19 no estado todo.

Segundo o boletim, Curitiba tem 87 casos confirmados. Isso acontece porque há uma defasagem entre as confirmações da Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde.

Segundo a prefeitura, 209 casos estão sendo investigados e 553 foram descartados na cidade.

Internamentos

Desde o primeiro caso confirmado na cidade, 26 pessoas precisaram de atendimento hospitalar, segundo a Prefeitura de Curitiba.

Deste total, 15 continuam internadas, sendo que sete delas estão em estado grave, fazendo uso de respiradores.

Dos internados em estado grave, seis são homens e há uma mulher. As idades deles variam de 49 a 64 anos.

Óbitos

Não há mortes confirmadas por Covid-19 em Curitiba até a manhã desta quarta-feira (1º).

20 óbitos foram investigados até o momento. Em 14 casos, a causa por coronavírus foi descartada. Outros seis ainda estão sob investigação.

Segundo a Sesa, três pessoas morreram por Covid-19 no estado – duas em Maringá e uma em Cascavel.

Fonte: G1

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Perdemos Carlos Molina

No dia em que completaria 61 anos de idade, 1º de abril, Carlos Molina nos deixou após dias de muita luta em um leito de UTI em Curitiba.

Defensor da liberdade de expressão e de todas as formas de manifestações culturais, religiosas e afins, Molina chegou ao Paraná nos anos de chumbo da ditadura militar que tanto o perseguiu em São Paulo e construiu no movimento estudantil sua resistência aquele período de dificuldade.

Molina estava internado em um hospital, onde passou seus últimos dias e faleceu na madrugada desta quarta-feira (1º de abril). Seu corpo será velado das 12h às 16h30 no Cemitério Municipal de Curitiba e em seguida será cremado, atendendo pedido do próprio.

Na campanha das Diretas Já, em 1984, Molina integrou um grupo improvável em Curitiba e ajudou a organizar, na Vila N.S. da Luz, o primeiro comício do Brasil pelo direito a votar para presidente.

O blog se solidariza com a família neste momento difícil.

Abaixo dois textos, de Maria Letiza, do jornalista Fábio Campana e do deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, que respectivamente dão uma ideia da dimensão do que representou o amigo.

Dia enigmático

“Dia 01 de abril é um dia enigmático, dito dia da mentira. Ele não poderia fazer seu desfecho nessa data, pois era autêntico, teimoso e idealista e não combinava com mentira. Então, fez de março o seu mês e assim como as águas que fecham o verão, nosso pai Carlos Molina fechou seu ciclo”.

Maria Letizia

Lágrimas pelo Molina

A Teresinha Marfurte me informa que o nosso amigo Carlos Molina morreu. A tristeza me invade e não consigo conter o choro. Sabia que ele estava internado, que seu quadro era grave, mas nunca estou preparado para aceitar a morte. Molina era um sábio que habitou entre nós, um analista/ativista político de grande perspicácia e espírito combativo. Crítico sagaz e contundente. Uma inteligência bruta. Ao mesmo tempo doce amigo que um dia me disse que gostava era de conviver com as pessoas simples, com a natureza, investigando bichos e plantas e extraindo poesia em suas caminhadas. Foi-se o Molina e novamente sinto aquele vácuo, a ausência, a perda de um amigo que me chamava de urso e de quem eu gostava mesmo quando nos estranhávamos nos embates de ideias. Vai fazer falta o Molina.”

Fábio Campana, jornalista

“Nosso Camilo Cinfuegos”

Recebi a triste notícia do falecimento do Carlos Molina. Quem assim como eu o conheceu, pôde ter a convivência de um militante autêntico, perspicaz, crítico e contundente na defesa dos ideais de democracia e justiça social – que num momento mágico de nossas vidas compartilhamos. Sempre o chamei de Camilo Cinfuegos, revolucionário que, com seu sorriso sincero, entrou para a história como um dos mais combatentes da revolução cubana, do qual ele era admiradores.

Ao mesmo tempo, Molina era um ser humano solidário, grande pai e avô, amigo e certamente aquilo que foi a sua grande marca, um lutador incansável pela nossa democracia. E vejam só que data emblemática Molina foi nos deixar: o 1º de Abril, data em 1964 culminou o Golpe Militar que instalou uma ditadura de 21 anos que Molina combateu.

A partida do Molina certamente nos deixa tristes, mas toda a sua trajetória de vida nos inspira a continuar a luta por um Brasil mais justo e democrático.

Luiz Claudio Romanelli, deputado estadual