Encontrados artefatos pré-históricos no lado argentino das Cataratas

Dentro da pesquisa arqueológica, foram encontrados vestígios pouco frequentes ou raros, de populações que poderiam ter habitado o parque até 12 mil anos atrás

Uma expedição de pesquisadores anunciou a descoberta de artefatos pré-históricos no lado argentino das Cataratas do Iguaçu. Entre os objetos localizados estão fragmentos de cerâmica e indícios de ocupação antiga como restos de fogueiras e ossos, anterior a chegada dos povos guaranis à região. Todo o material deverá ser reunido em museu após a conclusão dos estudos.

A investigação que culminou com a descoberta dos artefatos teve início em 2019, por um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional de La Plata (UNLP). Os indícios da civilização antiga foram localizados em trechos de mata na margem argentina do rio Iguaçu, próximo as Cataratas, informou GDia.

O trabalho, realizado pela equipe do arqueólogo Eduardo Apolinaire, foi revelado pelo chefe do Parque Nacional Iguazú, Atilio Guzmán. Em entrevista ao portal Argentina Forestal, adiantou que, após a conclusão dos estudos, a intenção é reunir os achados em um museu para contar a história da presença humana na região.

“Há muitas histórias que ainda não foram contadas em relação ao Parque Nacional Iguazú”, comentou Guzmán. A ideia do museu, de acordo com ele, “é conversada há tempos com diversos atores, tendo como base pequenos objetos e artefatos que foram encontrados e estavam sendo guardados no parque, mas sem destino concreto”.

Ponto de partida

O que aconteceu, ainda segundo o chefe do Parque, é que em abril a unidade de conservação recebeu a visita de um arqueólogo da UNLP, que passou pela região e se deparou com descobertas muito interessantes. “Nas escavações do terreno foram encontrados assentamentos guaraníticos, restos de cerâmicas e outros artefatos que, presume-se, poderiam ser anteriores aos guaranis”.

“Estamos falando de dez mil anos atrás, e tudo isso precisa ser investigado”, ressaltou Atilio Guzmán. O portal revela que fragmentos de cerâmica e outras peças com potencial arqueológico, encontrados ao longo dos anos por guardas-florestais, foram encaminhados à equipe de investigação em 2019.

As primeiras descobertas deram a base para os locais onde deveriam ser feitas as escavações em abril, cujos achados foram levados para análise na UNLP. “No parque, começamos a detectar muitos lugares onde havia esses restos”, disse o coordenador do trabalho, Eduardo Apolinaire, citado pelo Argentina Florestal.

Coletagem

Muitos desses restos, informou o pesquisador, estavam dispersos nas margens e em superfícies, e outros estavam incorporados dentro dos sedimentos. “Fizemos pequenas escavações para ver que materiais apareciam, já que, principalmente nessa etapa, a questão é recuperar alguns restos como carvão ou ossos, que nos permitem fazer datações para saber sua antiguidade”.

“Ao estar em uma área protegida, o material está em condições muito boas”, frisou. O Puerto Macuco, próximo ao local onde partem os barcos, foi um dos pontos onde estavam alguns dos artefatos.

Encontrados artefatos pré-históricos no lado argentino das Cataratas

Dentro da pesquisa arqueológica, foram encontrados vestígios pouco frequentes ou raros, de populações que poderiam ter habitado o parque até 12 mil anos atrás. Estudos realizados em áreas vizinhas, principalmente no Brasil, estimam que os grupos Guarani teriam chegado a região há pelo menos 2 mil anos.

Foto: Argentina Forestal