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Especialistas se reúnem na Itaipu para debate sobre uso de satélites na hidrologia

Terceira edição do Water from Space começou nesta segunda (21)

A terceira edição da conferência Water from Space teve início na manhã desta segunda-feira (21), no Cineteatro dos Barrageiros, na Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR). O evento reúne especialistas e autoridades para, durante toda a semana, debater os recentes avanços e perspectivas da aplicação de satélites em hidrologia.

Em sua fala na abertura do evento, o diretor-geral da margem brasileira da Itaipu, Anatalicio Risden Junior, destacou a importância da ciência para a previsão de afluência e usos da água. “Não podemos nos esquecer de como as usinas hidrelétricas são suscetíveis aos riscos climáticos, seja pelas possíveis alterações no regime de chuvas, seja pela vulnerabilidade ligada aos desastres naturais”, afirmou.

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Segundo ele, o monitoramento constante e confiável pode ajudar a minimizar os efeitos dos problemas climáticos e a encontrar soluções para crises como a vivida recentemente na bacia do Rio Paraná. “De forma a contribuir com as discussões, nesta semana, a Itaipu apresentará parte das suas atividades nas áreas da hidrometria, hidrologia e meteorologia, algumas das ferramentas e sistemas que utilizamos. Estamos felizes com a oportunidade de intercambiar conhecimentos em um ambiente em que a comunicação dos desenvolvimentos atuais, em nível mundial, possa circular livremente”, disse.

Em sua rotina, a Itaipu faz uso de tecnologias avançadas para avaliação e utilização de dados a partir do espaço e realiza diariamente a Previsão de Afluências, importante para a atividade de geração de energia.

Missão SWOT

Destaque da conferência, a missão SWOT (Surface Water Ocean Topography) foi citada por diferentes autoridades como uma esperança para o levantamento de dados que possam contribuir com os estudos das bacias hidrográficas em diferentes países. O projeto, que será lançado em dezembro e faz parte de uma cooperação entre as agências espaciais dos EUA (NASA), França (CNES), Canadá (CSA) e Reino Unido (UKSA), tem como objetivos fazer o primeiro levantamento global das águas superficiais da Terra; observar os detalhes da topografia oceânica; e medir como os corpos d’água da superfície terrestre mudam ao longo do tempo.

A secretária-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), María Alexandra Moreira López, ressaltou que essa tecnologia é necessária para conhecer os cenários de mudanças climáticas e seus efeitos sobre as bacias hidrográficas da América do Sul.

A opinião é partilhada pela diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Alice Castilho, que frisou a expectativa que se tem sobre a aplicação da tecnologia para o levantamento das bacias brasileiras, como do Pantanal, do Rio São Francisco e do Uruguai, por exemplo. “Essa metodologia vai aumentar o conhecimento que temos para entendimento desses rios e também da Bacia Amazônica, que tem dimensões continentais”, explicou.

Para o coordenador do projeto, o francês Jean-François Crétaux, há uma ótima promessa sobre os possíveis resultados deste satélite e a conferência serve como uma oportunidade de estar em um ambiente com pessoas que compartilham dessa expectativa.

Ele destacou também a importância da Itaipu no campo. “Há uma cooperação entre França e a América do Sul, com destaque para o Brasil, e a Itaipu é muito importante nos estudos hidrológicos. Estou muito empolgado em estar aqui a duas semanas do lançamento do satélite, estamos há 15 anos trabalhando nesse projeto e muitos aqui acompanharam isso, é uma oportunidade de nos reunirmos e trocarmos informações sobre o sensoriamento remoto em hidrologia”, finalizou.

O evento segue até sexta-feira (25) com palestras, mesas de debate e oficinas temáticas.

Créditos das fotos: Rubens Fraulini / Itaipu Binacional