Greve de fiscais da RF trava cargas na fronteira Brasil, Paraguai e Argentina

A associação de transportadores informou que o congestionamento se deve a greve de fiscais e demora para a liberação das cargas

A mobilização de servidores federais deflagrada no final do ano passado voltou a chamar a atenção no tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Na manhã desta quarta-feira (4), mais de 3,2 mil motoristas de caminhões e carretas aguardavam em filas nas ruas de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú e no pátio do Porto Seco, a autorização para seguirem viagem.

A demora para a liberação de cargas na fronteira é resultado da operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal (RF) e servidores do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa). As categorias cobram reajustes salariais, mais equipes e mais recursos para os serviços nas fronteiras do país.

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Em fevereiro deste ano, o GDia pautou o drama dos caminhoneiros, que relataram espera de até 36 horas para seguir em direção ao Paraguai, Argentina ou Chile, ou entrar no Brasil. A fila da manhã de ontem, na BR-277, superou os três quilômetros de extensão no sentido Ponte Internacional da Amizade (fronteira com Paraguai).

Operação padrão

A associação de transportadores informou que o congestionamento se deve a demora para a liberação das cargas dos servidores que atuam na Estação Aduaneira do Interior (Eadi) em Foz do Iguaçu. De acordo com a associação de transportadores, 935 caminhões estavam dentro do pátio do Porto Seco, o que representa a capacidade total do espaço.

A fila virtual, só da exportação (o que não inclui as cargas que aguardavam para entrar no país), estava em 1.276 caminhões. Outros 100 caminhões cruzaram a fronteira para o Brasil na terça-feira (03) mas não conseguem entrar no Porto Seco, que está lotado.

Do lado paraguaio, eram 980 caminhões em fila virtual. Aproximadamente 3,2 mil veículos carregados estavam parados no lado brasileiro, em Foz do Iguaçu. O drama da categoria também ocorre em Puerto Iguazú, por onde passam as cargas vindo da Argentina e também do Chile, via portos de Antofagasta e Iquique.

Prejuízos

Um levantamento do Sindicato das Empresas de Transporte Internacional de Foz do Iguaçu (Sindifisco), apontou que a mobilização dos auditores afeta 400 empresas de cinco estados brasileiros (PR, SC, RS, SP e MS) e países vizinhos. O prejuízo, apenas na região da Tríplice Fronteira, seria de aproximadamente R$ 4 milhões diários.

Greve de fiscais da RF trava cargas na fronteira Brasil, Paraguai e Argentina
Foto: Wilson Ferreira/UH

Em março deste ano, a saída de 11 auditores de cargos de chefias da Delegacia da RF de Foz do Iguaçu, também contribuiu para a demora na liberação das cargas. Os setores atingidos são o comando da Divisão de Conferência de Bagagem, no aeroporto e nas aduanas com o Paraguai e Argentina.

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