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Jornal defende plano para Ciudad del Este “não depender” do Brasil

O diário Última Hora, um dos mais conceituados do Paraguai, defendeu em editorial no final de semana, a execução de um plano sério, estratégico e funcional para a economia de Ciudad del Este não depender exclusivamente do Brasil.

“O Estado paraguaio deve contar com políticas públicas regionais que atendam aos desafios territoriais particulares e garantam qualidade de vida a população”, diz. As informações são de Ronildo Pimentel, no Gazeta Diário.

O manifesto lembra que, nenhum caso de Ciudad del Este, mesmo diversificando sua estrutura produtiva, os êxitos tem sido suficientes para impulsionar maior estabilidade.

“As medidas implementadas não obtiveram êxito em dotar a região de uma capacidade produtiva mais endógena, por exemplo, que não sofra influência da conjuntura do Brasil”, afirma.

Uma região tão populosa não pode estar ao “sabor do contexto econômico” das mudanças regulatórias do vizinho país, “por isto é imperativo uma mudança estrutural”, ressalta o editorial. Ciudad del Este e sua região metropolitana concentram uma proporção significativa da população paraguaia.

“É inaceitável que sua economia dependa tanto dos caprichos da situação econômica no Brasil”, frisa o jornal. Por muitos anos, o Paraguai deveria ter uma clara política de reconversão da região, a fim de reduzir a volatilidade gerada pela economia brasileira – “e também a do país” – a fim de garantir uma trajetória longa e segura para o desenvolvimento territorial.

Pobreza
O Departamento (Estado) de Alto Paraná mantém “níveis inadmissíveis de pobreza, desigualdade e baixa qualidade de trabalho”. Em comparação com outros departamentos do país, “com muito menos recursos”, é preocupante que 21,4% da população de Ciudad del Este sofra com a pobreza.

“A taxa de desemprego é altamente volátil, atingindo em 2015 os 11% de sua população ativa sem trabalho, quase o dobro da média nacional”, ressalta o manifesto. Ciudad del Este precisa projetar e implementar, ainda de acordo com o editorial, um plano de desenvolvimento que considere seu potencial econômico.

A estratégia deve promover um ambiente favorável ao investimento para a geração de empregos estáveis, seguros e bem remunerados, “bem como serviços de ampla cobertura e qualidade”.

O editorial aborda também o sistema educacional de Ciudad del este e região, que também deve garantir a universalização da educação pelo menos até o nível médio e com qualidade.

“Uma reforma educacional também deve se concentrar na relevância de seus programas, em coerência com as oportunidades econômicas e o plano de desenvolvimento planejado”, ressalta.

As entidades binacionais, como a Itaipu, devem se tornar motores de desenvolvimento dos distritos em que essas cidades e seus arredores estão localizados.

Paliativos
As medidas parciais e conjunturais como redução de impostos, afirma o jornal, não tem fundamento empírico e podem gerar competição desleal. Também recursos são perdidos em políticas para alterar sua estrutura de produção.

As intervenções dirigidas ao Departamento e, especialmente, a Ciudad del Este, não podem ser relativas as realizadas no Brasil. Esta “A tarefa deve marcar um plano estratégico integral, coordenado entre todas as instituições pública”, dos governos central, departamental e distrital, “mais a entidade binacional”, reforça.

“Do jeito que estamos agora, cada uma destas instâncias pode ir para um lado, com o qual pode-se perder eficiência no uso dos recursos. A dispersão de esforços reduz o impacto potencial”, garante o jornal.

Que completa: “As soluções parciais, conjunturais e reativas anteriores nos deram esses resultados. No entanto, continuamos com o mesmo comportamento público. Está na hora de mudar”.